“Adorno da Realidade” é um espetáculo que transpassa pelo universo da Dança, do Teatro e da Performance. Inspirado nas ideias do filósofo alemão Theodor Adorno, o espetáculo instiga a reflexão acerca da realidade pós guerra e da manipulação dos seres na sociedade.

Em cena faz-se alusão aos campos de concentração da II Guerra Mundial e à manipulação sofrida do ser, passível da atualidade. A dramaturgia busca evidenciar nossa imagem enquanto seres humanos como meios de mercadoria e não como indivíduos autônomos. Somos pessoas livres quando escolhemos o que comer ou vestir?

A crença do ser humano sobre a sua liberdade perpassa pelo cenário de uma indústria cultural que pode manipular de forma ideológica e silenciosa, mantendo a atuação e construção do homem quanto mercadoria e modo de consumo, e a “coisificação” do ser e de seus desejos e vontades. O que se pode observar tanto no racionalismo extremado de posicionamentos políticos que atingiram a vida de judeus durante o nazismo, quanto no conflito de fronteiras entre Síria e Países Europeus, vivenciado atualmente. É sob este pensamento e questionando esse modus operandi que o personagem em cena se expressa.

O cenário, composto por caixas de papelão, arame farpado e outros elementos cênicos, sugere um ambiente intimista, combinado ao número limitado de cadeiras que é disponível ao público. A limitação de pessoas na plateia refere-se ao pensamento contrário à “lógica” da indústria cultural e do marketing, cujo objetivo é sempre a obtenção de grandes números e proporções. Ao inverso deste, apresentamos um espetáculo para “poucos”. O espetáculo traz uma visibilidade diferenciada e mais próxima do artista, sugerindo a apreciação estética e a reflexão através do grotesco e real.

O artista é manipulado em cena e o público também é convidado a participar: o espetáculo propõe jogos de manipulação da cena pela plateia, retirando-a do seu papel de expectador e possibilitando-a ser modificadora “REAL” da realidade apresentada tanto pelo bailarino, quanto pelo ator/manipulador da cena. Essa situação faz com que cada apresentação do espetáculo seja única e diferenciada.