As perguntas estão presentes na vida de todos nós. Geralmente são elas que nos levam a buscar diferentes caminhos, a fim de solucionar ou confortar nossas inquietudes. Como você busca a sua identidade? Como você se conhece ou reconhece dentro dos seus instintos? Até que ponto você consegue controlar sua ira? Seu ego?

Esses são questionamentos que o espetáculo “Olhai por Nós” sugere ao público. “O espetáculo é diferente dos outros que já fizemos porque traz uma linguagem mais reflexiva, que aborda determinadas questões humanas, como: desejos, falhas e excessos”, comenta a diretora geral da Lamira, Carolina Galgane.

A vontade e a crença são elementos que transparecem no cotidiano, e podemos percebê-las. Estes elementos foram pontos de partida da criação, e trouxeram a reflexão sobre a força que existe no “acreditar em algo” e sobre a sutileza da esperança, nos caminhos que levam os seres humanos na busca por se tornarem pessoas melhores.

Envolvendo dança, teatro e música, os artistas compartilham um processo que existiu para além do ambiente de ensaio. As perguntas mencionadas logo no início deste release ganharam vida na rotina dos artistas que foram para a cena. Durante todo o processo de criação, cada um se deparou com algo que era presente no seu “eu”, e precisou passar por uma privação ou obrigação. Essa pesquisa existiu como proposta a uma vivência intensa da temática, o que objetivava fluência e sinceridade à construção artística e estética.

Na cena, a companhia utiliza instrumentos musicais e objetos diversos (manipulados e no cenário), todos acrescentando, sugerindo ou compondo significados. O espetáculo conta com música ao vivo, atuação e coreografia, englobando com isso, diversos segmentos da arte. A ideia foi usufruir da liberdade que há no diálogo entre as artes, e na potência de seus recursos, para concretizar melhor a proposta. Para isso, contamos com quatro direções, que são: a de Fernanda Vianna, na dramaturgia do gesto; Marco França, na direção musical; Vinícius Della Líbera, na direção de formas animadas; e João Vicente, na direção artística e coreográfica.

Um convite, assim como o desejo de receber algo ou alguém, resguarda também um cuidado de quem o faz. A Lamira, nesse sentido, realiza este espetáculo bem perto do público, convidando-o a uma proximidade com a cena. O cuidado se manifesta na tela de arame que fica entre o público e os artistas, como parte do cenário. A tela no entanto, pode afastar ou aproximar ainda mais, o que fica a cargo do público e de sua fruição para com a obra. As interpretações do público mostram a imensidão de possibilidades do pensamento humano, identificadas também, na cor do figurino: o branco, que é a mistura de todas as cores; e as formas, que podem ser reconhecidas em vários lugares no mundo.

O espetáculo cênico-musical “Olhai por Nós”, tem duração de uma hora e vai à cena com a proposta de reflexão. O movimento está presente na história da humanidade, na busca pelo que constitui o cerne de nossa existência. As perguntas costumam nortear esse “mover-se”. As respostas? Se existirem, são únicas, como cada um de nós… Por mais que por muitas vezes, compartilhemos das mesmas ideias. É dessa forma que o espetáculo se torna um convite, para um olhar mais tolerante para com a grandeza de nossa diversidade.